…Pensar, descrever, expressar sentimentos, se tornou um exercício muito difícil, e a falta que me faz este espelho é do tamanho das saudades…”
Talvez eu tenha entrado numa nova fase sem que a anterior tivesse um fim. Ou talvez seja um momento de intersecções, um momento de ação, de sementes…
E a única coisa que espero é conseguir acompanhar internamente as mudanças externas, ou seja, corresponder às cobranças. Claro que tenho medo. Experimento de tudo um pouco! Mas o medo agora vem misturado com esperanças, pois esta é a minha grande chance de abandonar a inércia que me dominou há quase dois anos.
Se implorar resolvesse, não me importaria.
Chorar, se desse resultado, porque não? Minhas lágrimas acabariam com a seca de qualquer Estado, de qualquer espírito.
Será que você não pode me olhar com olhos de devoção porque eu estou aqui quase esmagada sem sua presença? Será que você pode me abraçar como se estivéssemos caindo de uma ponte porque eu estou aqui sem chão? Será que você pode me beijar como um beijo de final de filme porque eu estou aqui sem saliva, sem ar, sem vida? Definitivamente, não e melhor não dizer isso.

Na verdade é uma pena ter o coração inchado de amar sozinha, olhos inchados de amar sozinha. Um semblante altista de quem constrói sozinha sonhos.
Infelizmente não dá pra ligar pra vc e dizer: Ei, tô sofrendo aqui, vamos parar com essa estupidez de não me amar e vir logo resolver meu problema?
Mas amor, minha querida, não se pede e isso dá raiva, eu sei.
Raiva dela ter tirado o gosto do mousse de chocolate que você amava tanto. Raiva dela fazer você comer cinco mousses de chocolate seguidos pra ver se, em algum momento, o gosto volta.
É triste ver o Sol e não vê-la se irritar porque seus olhos são claros demais, são tristes as manhãs que prometem mais um dia sem ela e são mais tristes as noites que cumprem a promessa.
É triste respirar sem sentir aquele cheiro que invade e você não olha de lado, aquele cheiro que acalma a busca.
Tanto amor querendo escrever uma história, mas só escrevendo “mais uma vez” este texto amargurado. É triste saber que falta alguma coisa e saber que não dá pra comprar, substituir, implorar, esquecer…
Amor se declara, sabe? Ela sabe, ele sabe!
Os últimos dias mereceram muitas e muitas palavras, mas definitivamente percebi que não há mais espaço para tanto..
Me torno cada vez mais fechada. Um universo confuso se dilata por dentro, enquanto muito pouco é exteriorizado. Não há mais palavras pra falar sobre mim ou sobre o que me habita.
Mas ninguém percebe, pois ofereço aos outros o que querem ou precisam: minha amizade, meu sorriso, meu apoio, minha companhia animada… isso é tão fácil…!
O resto fica guardado.
Quem dera ninguém tivesse que ouvir mais minhas ladainhas de lamentação.
Nem ele. Nem ela.
Elas tem me ensinado a ser só.
A vida tem me ensinado a ser só.

O barro antes amolecido está endurecendo um pouco disforme. E ainda não consigo avaliar bem o resultado final.
Tenho uma doce saudade da menina que estava aqui, me habitando um ano atrás. Ela era mais leve. Sofria muito, mas tinha lágrimas que podiam tornar-se sorrisos em um instante. Ela tinha cor e esperanças… Ela acreditava… e… por incrível que possa parecer… ela era eu!
Às vezes eu tenho vontade de sumir…. ir para um lugar onde eu possa ficar sozinha….ouvindo a música que eu quiser, no volume que eu quiser e na hora que eu bem entender. Nesse lugar eu poderia ficar falando sem ter a preocupação de que pode ter alguém atrás da porta pensando que eu estou enlouquecendo…. passaria horas e horas no banho…. deixaria as lágrimas escorrerem dos meus olhos sem precisar explicar o motivo delas…. não precisaria aturar pessoas nem situações desagradáveis…. curtiria a minha própria companhia…
É o universo onde o tempo pára pra vc, onde ninguém te machuca e para onde eu queria ter passe livre, mas liberdade, bebê… não existe.

Aos 15 a gente pede dia após dia para chegar o grande momento de se ter 18 anos.
Como se magicamente alguma coisa fosse mudar, como se num piscar de olhos você deixasse de ser apenas uma criança para se tornar… Não adulta, mas um meio termo entre os dois… Como se oficialmente você estivesse crescendo.
É como se com 18 anos você fosse ser transportada para um outro plano, onde não se é nem adulto e nem criança e onde pode-se tudo.
Onde não há limites, nem erros ou acertos.
Onde tudo são tentativas.
Aos 21 começamos a ter a sensação que essa linha tênue entre crescer ou não, está chegando ao fim e que logo logo as decisões devem ser mais maduras e condizentes.
E talvez seja esse o momento mais doce de todos, aquele em que dizemos adeus a todas travessuras e fazemos uma auto análise séria, traçamos metas mais ousadas e conseguimos entender que o para sempre não existe.
Quando nos aproximamos dos 25, começam os momentos de terror onde alguém sempre vai fazer a piadinha do 1/4 de século e você nem vai se dar conta de que são apenas 25 anos, porque a palavra SÉCULOS ficará ecoando em sua cabeça até o dia D.
E é assim para quase todo mundo.
É aquele momento onde movemos o olhar pro passado, para todo ele e entendemos certas atitudes e do porque tomamos elas.
De colocarmos na balança amores, dores, momentos e sentimentos e ver o que valeu a pena, porque uma nova fase vai começar.
Quando se chega aos 25 não dá pra voltar atrás, você cresceu.
Não existe mais a linha tênue entre adolescente ou criança, a liberdade dos 18 ou inôcencia da infância, você cresceu, apenas aceite.
Não é fácil e falo com propriedade, é assustador as vezes, ainda mais quando se cresce com aquela maldita síndrome de Peter Pan.
O divertido é que você consegue ter uma panorâmica de tudo o que já passou e consegue rir (algumas vezes até chorar) ao ver que muitas vezes você já repetiu que não iria mais fazer uma coisa, mas que acabou repetindo só pela sensação inicial de bem estar que aquilo que lhe causava.
A diferença é que hoje você lida com as consequências dos seus atos mais friamente e não dá pra correr.
Não existe colo de mãe, avó ou amigos que mude isso.
Você tem que acordar no outro dia e só poderá esconder o rosto com no máximo um blush, batom e o óculos mais trendy da estação, mas apenas isso.
Crescer não é fácil, é trabalhoso e não é vergonha ter medo.
Apenas não deixe o medo te privar de viver certas situações que só essa fase poderá te proporcionar!
Alyce Takai trabalha com Marketing de moda e escreve nas seções de Moda e Comportamento do Cabideiro.

Quando somos crianças achamos que tudo que é nosso continuará ali para sempre; o papai, a mamãe, os amiguinhos e até os brinquedos!
Não temos a noção de que o mundo é grande… imenso mesmo, cheio de possibilidades que vão além dos muros da escola.
Nos tornamos adolescentes e descobrimos que brinquedos devem ser doados, roupas deixam de servir e nem sempre dá pra permanecer na mesma escola, com os mesmos amigos e assim descobrimos um pouco do que os adultos chamam de “abrir mão”.
Com o passar dos anos, as descobertas sexuais, emocionais, o primeiro pé na bunda, aquela sensação de frustração ao descobrir que ele não gosta de você mas sim da sua melhor amiga, começamos a ter consciência de que a vida é uma montanha russa imprevísivel e que não adianta você ter medo, ela vai começar a fazer seu percurso (de altos e baixos!) queira você ou não.
Aprendemos a perder.
Ou não aprendemos.
Apenas tomamos consciência de que nem sempre os caminhos estarão lado a lado porque a estrada é longa e existem muitas placas no meio do caminho e cada um acaba seguindo por uma direção.
Cada escolha gera uma consequência que vem cheia de bônus e ônus, afinal não dá para ter tudo; ainda assim, se desfazer de elementos do passado e de um certo comodismo óbvio é difícil, porém necessário.
As vezes levamos trabalho, namoro, amizades a pontos tão densos, transformando relacionamentos (independente de qual) em anomalias, em problemas tão maiores do que eles realmente são.
Muitas vezes por apego ou por simplesmente ter que admitir que não deu certo, a frustração de dizer que não foi a melhor escolha, nos faz continuar achando que alguma coisa pode mudar.
Procuramos respostas e tentamos achar culpados ao invés de fazermos uma auto analise e ver que a resposta para todos nossos problemas é o nosso reflexo no espelho.
Qual o sentido de dar continuidade ao que não está dando certo, você já se perguntou isso?!
Porque eu me pergunto todo dia.
Me pergunto em que momento eu não estou forçando uma situação a ponto dela conseguir estragar qualquer tipo de boas lembranças que eu possa ter daquilo.
Perder, não dar certo, errar faz parte, o importante mesmo é saber a hora de parar, entende?
Pense que todo final é apenas uma nova chance de fazer diferente e de uma forma completamente nova!
Alyce Takai trabalha com Marketing de moda e escreve nas seções de Moda e Comportamento do Cabideiro.
Quando ainda estávamos na escola eramos julgados pela roupa que usávamos, pelas pessoas com quem tínhamos amizade e até pela forma como nosso cabelo era cortado.
A cor do tênis, o brinco, a mochila, nada passava despercebido pelos olhares curiosos dos nossos afetos (e principalmente dos desafetos!).
E quando a gente cresce, não muda muito.
Os lugares que frequentamos, com quem frequentamos, o modo de nos portar, tudo isso é julgado diariamente.
Mas a questão é: quanto tempo perde-se julgando?
Em tempos de bullying, do crescimento absurdo das redes sociais e da rapidez com que as coisas andam acontecendo, vejo a todo momento pessoas julgando umas as outras desmedidamente como se fossem as donas da verdade.

Te julgam por um ato, um pensamento, um cabelo, uma roupa, uma profissão sem sequer saber quem você é, pelo que já passou e o que te levou até ali.
A realidade é que a amargura dessas pessoas é muito maior que os números de seguidores que ela tem e vai muito além dos contatos que ela possui no Facebook.
Fomos educados com aquela obrigatoriedade de sermos alguém, de agradar e conquistar a maior quantidade de coisas e pessoas possíveis e acabamos nos prendendo em opiniôes que na maioria das vezes não acrescenta nada, só machuca.
Chega uma hora em que não se importar vira regra e não excessão.
Simples, NÃO SE IMPORTE!
Ninguém é melhor do que ninguém no mundo em que vivemos e não estamos num tribunal onde pessoas são julgadas por pessoas tão “pecadoras” quanto nós.
PERMITIR-SE é uma arte que poucos dominam, mas em tempos em que um simples “eu gosto” ou “eu não gosto” vira uma bomba nuclear, não se importar tem que virar palavra de ordem!
Viva mais, permita-se mais e para essas pessoas tristes que se preocupam muito mais com a felicidade alheia do que com a própria, a gente mostra a lígua!

Imagens: Google
Alyce Takai é produtora de moda e escreve nas seções de Moda e Comportamento do Cabideiro.
Acho que acontece pra todo mundo, em maior ou menor escala, com poucas ou muitas pessoas do nosso convívio: a gente se vê, de repente, abandonando, deixando pra trás o que e quem já foi tão imprescindível.
É como um desvio – a gente não sabe bem em que parte da história: só sabe que então cruzou outra estrada, pegou outra ponte e foi aportar lá…em outro lugar. Não deixou de amar ninguém, só juntou tudo no poço da lembrança, naquele lugar onde nada muda, que não mais interfere nem sobrevive.

Eu sempre tenho muitas saudades de um grande amigo do colégio: Vitor, foi uma das pessoas mais queridas (sabe aquele quase irmão?) e especiais que tive o prazer de ter ao meu lado, como companheiro de tardes no telefone, de almoço, da volta pra casa na chuva, das tardes debaixo do edredon enquanto devíamos estudar, autor dos beijos mais loucos e professor particular das poucas matérias que eu não sabia . Mas um dia, sem mais nem menos, nós, que caminhávamos sempre tão juntos, pegamos atalhos paralelos. Nem percebemos imediatamente – e acho que cada uma se deu conta da ruptura em tempo diferente. Foram nove anos depois que trocamos dois e-mails – e teria sido melhor que isso não tivesse acontecido nunca. Não éramos mais os mesmos, nem falávamos a mesma linguagem. Mudaram-se os rumos, reconstruímos as coisas de outra forma e nem havia muito pra contar – porque eu tinha medo de ser mal interpretada e não havia intimidade pra explicar.
Também nessas ocasiões tem um frio que nos acolhe: aquela névoa quase imperceptível, mas que a gente sabe que está ali, encobrindo nossa decepção, o desencanto, uma dorzinha estranha de se saber livre de um vínculo que tanto se quis preservar… (Tanto porque às vezes as pessoas fazem de tudo para que não venhamos a querer elas por perto…)
A palavra, uma vez dita, é palavra ouvida… não pode ser esquecida em um curto espaço de tempo… Mas quem são essas pessoas? Vítimas de um fracasso pessoal? Pena!

Mudamos nós ou é o tempo que modifica tudo ao redor?
Dia desses andei percebendo que minha memória, sempre fotográfica, anda falhando. É uma coisa ou outra que não lembro, um dia especial que se apagou, um rosto que eu queria tão bem que vai desaparecendo… O bom é que algumas coisas ruins também vão se misturando e se perdendo; mas é sempre o que mais se queria guardar que nos espanta de estar se diluindo.
Talvez já não haja em nós tanto espaço para recordações… Talvez a gente aprenda a dar atenção só ao que realmente importa; talvez assim a dor seja menor, porque já nos magoamos tanto que o coração acostumou (e isso, também pode ser terrível, um sinal de que a sensibilidade amorteceu).
Seja como for, acho que quem continua junto, quem luta contra os problemas, brigas, possíveis falhas de caráter ou encontra uma maneira de manter algum contato qualquer, mesmo que estreito, é porque, de alguma inexplicável maneira, enxerga a beleza com as mesmas cores – mesmo quando tanta coisa mudou, dentro e fora de nós…Pode sair um pouco do foco, mas não a ponto de perder a nitidez.
De certa forma é isso que nos salva. O contrário, é destruir totalmente o contato com o passado, com tudo que se viveu, e dividir os tempos como se houvesse em nós vidas totalmente separadas, que nunca se juntam.
Acho que é impossível viver só com o ‘novo’: o ‘velho’ é parte de nós, soma do que nos transformamos, e é necessário, também, pra gente não se perder de quem é…
Permanecer é uma coisa boa, acredito eu, mesmo tendo certeza de que a gente quase sempre pemanece por menos tempo do que gostaria.